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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Fronteira












Todos os países têm uma legislação, de acordo com as suas necessidades, para atender a demanda de turistas e imigrantes que almejam entrar no país. Na entrevista para obter o visto, é preciso deixar claro para quê aquela viagem se destina. Assim como o período de estadia, valores para ser aplicado no período e os lugares onde permanecerão, para que o estado possa avaliar se o turista tem intenções de morar clandestinamente após a entrada. Já para obter o Greencard, é preciso provar entre outras coisas, estar empregado, o que por si mesmo exige uma escolaridade e especialização. Além destes, visto de estudante para high school e college e de trabalho com contrato temporário para exportar conhecimento. Todas essas possibilidades se encaixam em um tipo de viagem que foi planejada.


É preciso avaliar a entrada de um estrangeiro no país e os impactos que eles podem causar na sociedade. Além disso, a legislação é variável de país para país com as finalidades de povoar, rejuvelhecer os cidadãos economicamente ativos e fomentar a economia do turismo. E quais são os problemas causados por uma migração desordenada? Os cinturões de pobreza; o comércio ilegal de drogas, armas, de pessoas; desemprego e a própria relação do cidadão com aquele que é excluído da sociedade através do preconceito e da exploração.


Já sabemos que o desemprego e a má distribuição de renda são fatores econômicos que alimentam as
tentativas de mudança e que a partir daí o foco se torna partir para o destino que ofereça melhor oportunidade. O problema é que nem sempre esse contingente de pessoas que decide migrar está preparada para exercer uma atividade em outro país e como não espaço para que elas se desenvolvam, a mão-de-obra imigrante se volta para cargos que exigem pouca capacitação principalmente por não está integrada ou reconhecida como cidadão.


Todo esse processo aconteceu com o México, que após a rápida industrialização no período de 1950 e a economia entrou em colapso a partir de 1973 com a queda do preço do petróleo. Nesse momento, seguir em direção aos EUA se tornou oportuno pela proximidade da fronteira, o apelo americano de liberdade do american way of life e também atendendo a uma demanda de trabalho periódico que existia no destino.


As migrações temporárias atendiam uma demanda do setor agrícola. O que provavelmente se intensificou com a crise mexicana. A produção agrícola, tanto para consumo interno quanto para exportação, se destacam como maior produtor mundial em soja,laranja e milho além da pecuária extensiva nas regiões mais áridas. O que se traduz pela existência de milhões de hectares cultiváveis. Existem zonas agrícolas que se destacam em apenas um produto, as chamadas belts. A característica principal é ser um setor bastante mecanizado, mas que administra bastante fertilizante e produtos químicos para eliminar pragas e também não excluem a necessidade de mão-de-obra. E por isso as plantações ao Sul do EUA já utilizaram intensamente trabalhadores mexicanos que cruzaram ilegalmente a fronteira. Eles são chamados de chicano ou braceiros, que em busca de um ganho em dollar se submetem a condição de subemprego tendo em vista o ganho em uma moeda mais valorizada, em relação ao peso mexicano, como maior valor de compra e a possibilidade de levar o sustento para a família que ficou no México. Essa prática de depositar parte do dinheiro do salário, para a família no país de origem, é muito comum, embora seja uma mão-de-obra mais barata e desprotegida pela lei trabalhista. Cerca de dois milhões de braceiros já trabalharam ilegalmente e mais de dez milhões passaram a morar clandestinamente na região sul do EUA.

Os métodos ilegais de atravessar a fronteira facilitam a exploração do trabalho tanto para o lícito quanto para o ilícito. Isso porque a travessia também é feita por facilitadores, coyotes que se aproveitando da situação, fazem da travessia um negócio com lucros altos, onde os imigrantes ilegais são enganados, expostos à situações de risco, muitas vezes transportando drogas ou com promessas irreais de emprego e moradia, assim como diz a letra da música.



Leva Leva Leva Leva Leva la Blim Blim Leva la Blim Blim

Me pediram pra atravessar
Pra atravessar, a fronteira
Mas atravessar, era passar
Com um caminhão, 1 tonelada de besteira

Do que você pudesse imaginar, e o que você pudesse imaginar
Eles pagavam o quanto fosse, só pra você atravessar, atravessar
Você não consegue imaginar, você não consegue imaginar
Eles pagavam o quanto fosse, era só pegar ou largar, pegar ou largar

Me pediram pra atravessar de babaca, eu fui
Atravessar, aquela fronteira
Mas atravessar na ingenuidade, era passar com caminhão 1 tonelada de besteira

Você não consegue imaginar, você não consegue imaginar
Eles pagavam o quanto fosse, só pra você atravessar, atravessar

Só que você não se toca na hora
E é tentado pela a grana arriscar
Miséria e oportunidade sua liberdade
Abriu mão de tudo, o que Deus te deu pra aproveitar
Pois não existe nada melhor nesse mundo do que estar livre
É a frase de um amigo meu que pegou 11 anos por causa de um deslize

Não existe nada melhor nesse mundo que estar livre
Não existe nada melhor nesse mundo que estar livre
Estar livre, estar livre, estar livre, estar livre

Você não consegue imaginar, você não consegue imaginar
Se tocasse antes de entrar em cana, pagou de bacana, e veio a se arrasar

Link: http://www.vagalume.com.br/o-rappa/fronteira-d-u-c-a.html#ixzz3SL8MSuOX

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A terra do excluídos


A maioria dos países que foram colônias e utilizava o trabalho escravo para aumentar os lucros da produção com a exportação, são aqueles que hoje conhecidos como subdesenvolvidos.

É o caso do Brasil, que foi colônia de exploração. Mas quais as influências diretas que isso tem no assunto sobre imigração? No Brasil também houve imigrantes europeus, além dos portugueses. Primeiro porque nessa época os ingleses já pressionavam pela abolição da escravatura e em segundo lugar a realeza de Portugal fugiu para o Brasil após a invasão francesa, para se refugiar no Rio de Janeiro, lugar escolhido para ser a nova sede do país.  Só que o rei olho pela janela e viu muitos negros. E como o objetivo de “embranquecer” o país, começou a incentivar a imigração para substituir a mão de obra escrava, desta vez como trabalho remunerado. Uma vez que a escravidão foi abolida a chegada de cerca de 5 milhões de novos habitantes, o contingente populacional se intensificou principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. As viagens eram pagas pelos proprietários de terra onde trabalhariam e pelo governo. Um contrato era assinado antes de conhecer onde iriam trabalhar.



O problema é que toda a publicidade feita na Europa era propaganda enganosa oferecendo vantagens ilusórias. O contrato só beneficiava o patrão e isso deu origem a conflitos e a fuga das fazendas antes do término do acordo. Os que podiam, voltavam ao país de origem ou para outros países da América. Dos 5 milhões de imigrantes,dois milhões retornaram para a terra de origem. Mas e o que não podiam voltar? Instalavam-se aos redores, juntamente com os ex-escravos. 




E assim o Brasil se tornou metade livre e metade terra dos excluídos. Daí nascem vários clichês que até hoje persistem como: “com quem você pensa que está falando?” ou ”porque esse neguinho ganha mais do que eu?” "eu que deveria estar no lugar dele,afinal eu sou branco" frase clássica dirigida aos ‘inferiores excluídos’. Além de alguns direitos básicos que são tratados como privilégio. Morar aonde  muitas vezes o saneamento básico não chega, os serviços são de péssima qualidade e a moradia improvisada.




Ao olhar os morros e favelas cheias de negros e nordestinos sem oportunidade, porque alguém disse que eles não tinham que ter oportunidade de trabalhar e eles não têm que ter o privilégio de receber salário, assim como eram os escravos. Mas as pessoas têm que viver, por isso dá o seu jeito de fazer as coisas acontecerem. Seja legalmente ou ilegalmente,através do tráfego de drogas principalmente e de armas são uma instituição organizada. Ou seja, a capacidade de trabalho é toda voltada para o crime, alimentando ainda mais o preconceito contra os excluídos. ‘O crime não é coisa de gente branca, é coisa de negro vagabundo’.


Quando se trata de um país para outro, são poucos os países que incentivam a chegada de estrangeiros para moradia permanente. A maioria que incentiva isso é porque o povo local está envelhecendo e precisa renovar e manter uma população economicamente ativa. Mas não podemos esquecer que o transporte ilegal de pessoas também existe, como forma de contrabandear drogas e para a prostituição ilegal , que são um negócio paralelo com lucros altos. E esse é, dentre outros motivos que faz com que a entrada no país não seja facilitada.



Para finalizar por hoje, um pouco de humor porque esse vídeo é muito engraçado!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Do campo para cidade












Quando as migrações acontecem entre áreas rurais e urbanas, outras questões vêm à tona. Uma delas é o por quê que as regiões rurais não conseguem segurar o seu contingente populacional. A agricultura pratica duas formas de produção: Aquela de subsistência, onde pequenos agricultores produzem para si e para o comércio local. E os grandes latifundiários, voltados para a exportação.

A agricultura de subsistência, hoje vista como características de regiões pobres e atrasadas, já foi mais eficiente em formar em torno de si centros urbanos e comércio a exemplo do que aconteceu com a região norte nos EUA. Diferentemente da região sul, onde grandes extensões de terra na mão de um só dono priorizavam a produção para o mercado externo. A centralização de recursos excessiva é reforçada pelo sistema escravista e é incapaz de manter o progresso (repetindo o progresso e não a concentração de renda) em torno de si ao tornar o comércio local inócuo. Tanto é que as revoltas que se sucederam até a independência americana, começaram a partir de Boston com o objetivo de manter a autonomia em face dos novos impostos. E as colônias do sul, com sua grande concentração de renda, se uniram a eles,para que o conjunto de 13 colônias se tornassem um país independente. E assim os Estados Unidos foi um país que deu certo, principalmente porque a autonomia do norte superou os vícios administrativos do sul.

O que teria acontecido com os EUA se esses vícios tivessem prevalecido?        

 A maioria dos países que foram colonizados mantendo suas economias como agriculturas comerciais e latifundiárias são OS MESMOS que se tornaram subdesenvolvidos. Essa não é uma realidade de quatro ou cinco séculos atrás. Até o início do século XX, no México, as principais atividades econômicas eram a agricultura e a mineração voltadas para exportação. Apenas 1% da população detinha 70% das terras cultiváveis. Conseqüentemente esse processo gerou um grande contingente de mão-de-obra cada vez mais barata e cada vez mais escravizada. As tentativas de reforma agrária, sem muito sucesso e o início do processo de industrialização (também voltado para o mercado externo) fez aumentar o número de pessoas nas áreas urbanas, mas sem qualificação, o que fomenta problemas como desemprego, subempregos, violência e precária qualidade de vida.


Fugir da pobreza e da condição de miséria a qual é submetido, essa é mais uma razão pela qual as pessoas decidem migrar. Mas será que estão realmente preparadas para isso? Ou acabam indo de encontro a um problema maior?

sábado, 24 de janeiro de 2015

Onde tem conflito, tem emigração






Recentemente presenciamos na Alemanha manifestações contra e a favor do contingente de imigrantes que vivem no país. Alguns que saem da Síria ou de lugares onde os conflitos são intensos sejam por questões políticas, perseguições religiosas, guerras ou questões raciais.


O fato é que quando se falam de refugiados, a decisão é sempre uma questão de evitar uma situação que está fora do controle. Não há planos de onde morar ou trabalhar, previsão de retorno ou condição financeira, que não seja para escapar da violência. Como em qualquer tipo de migração, os destinos são normalmente os países e continentes mais próximos, onde moram em acampamentos ou lugares improvisados até que se estabeleçam de forma definitiva. Ou recebam assistência do governo local ou da ONU.

Na África por exemplo, onde há conflitos históricos, houve mais de meio milhão de imigrantes
espalhados pelo próprio continente. Os vietnamitas foram para as Filipinas e Hong Kong. No Afeganistão, a migração aconteceram em direção ao Paquistão. O que influenciou essa mudança foi à condição adversa do país em questão, que pode ser temporária ou prolongada por questões políticas religiosas ou a guerra.

Qualquer nação já passou por períodos turbulentos, inclusive aqueles que estão estabelecidos política e/ou economicamente. O que torna o processo de migração tão natural quanto recorrente, ao longo do tempo.

Nos EUA, conflitos gerados por perseguição religiosa, também motivaram milhares de ingleses à atravessar o oceano,em busca de melhores condições de vida. A diferença é que sem restrições de entrada,ou cidades estruturadas, foram, na época, à colônia inglesa construir e povoar um território onde o progresso não existia. Pequenas e médias propriedades agrícolas, nas mãos daqueles de menores condições como os ingleses Quakers, que desenvolveram e implementaram o comércio e a construção naval para o escoamento da produção, impulsionando as relações mercantis e a produção de manufatura,criando inclusive a capacidade de se manter independente do Reino a que pertencia.


A imigração levou o progresso consigo à colônia, se formando a base para se tornar, mas tarde uma das maiores potências do mundo.

sábado, 10 de janeiro de 2015

As migrações






Ao encurtar distâncias, o desenvolvimento, os meios de transportes, os meios de comunicação facilitam e contribuem para os grandes números de migrações e as divergências políticas a respeito.  Mas existem alguns motivos importantes que devem ser levados em consideração nessa discussão. 

Embora existam muitas causas ao longo dos séculos, hoje o principal motivo, atribuído ao sistema capitalista, é a econômica, pela busca de emprego e novas oportunidades de vida. Ela costuma acontecer de forma definitiva, quando se fixam permanentemente ou temporárias, que atende a alguma demanda de um período, seja para intercâmbio, estudo ou trabalho.O que é diferente de ser turista. As migrações também acontecem internamente, de regiões menos desenvolvidas para regiões mais desenvolvidas ou externamente, de um país para o outro.

"Não pedi pra nascer na América,
vocês vão ter que aturar"
As grandes migrações começaram com o descobrimento das Américas. Entre os séculos XVI e XVII cerca de 3 milhões de europeus migraram para fins de povoamento da colônia e 7,5 milhões de africanos através de trabalhos forçados. A revolução industrial também tornou comuns as migrações de trabalhadores dos países pobres, para os países ricos e de áreas rurais para áreas urbanas. No século XX até 1940, 47 milhões de pessoas tinham abandonado a Europa em direção a América. 

Mas depois da Segunda guerra e com um novo mapa político, conflitos, violência e perseguições foram fatores que aumentaram o número de refugiados no Oriente médio, na África, no sul, sudeste e leste da Ásia onde os deslocamentos aconteciam em um mesmo continente. Cerca de 100 milhões de imigrante se deslocaram entre 1945 e 1970.


Uma vez que uma região é visto como um símbolo de progresso, se torna um destino fácil para quem busca melhores condições de trabalho. Nem sempre na história foi um processo voluntário ou rejeitado politicamente, mas essas questões trazem consigo alguns problemas. E é a partir desse ponto que começamos a série sobre migrações.

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